Amazonas tem 3ª maior alta de feminicídios do país em 2026, aponta Ministério da Justiça

Estado registrou aumento de 66,7% nos casos no primeiro semestre. Especialistas atribuem avanço à falta de políticas públicas, dificuldades de acesso à rede de proteção e necessidade de ampliar ações de prevenção.
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O Amazonas registrou um dos maiores aumentos de feminicídios do Brasil no primeiro semestre de 2026. Dados divulgados pelo Ministério da Justiça mostram que o estado teve alta de 66,7% nas ocorrências em comparação com o mesmo período do ano passado, passando de 6 vítimas nos seis primeiros meses de 2025 para 10 casos neste ano.

No cenário nacional, o Amazonas aparece como o 3º estado com maior crescimento percentual desse tipo de crime, ficando atrás apenas de Goiás, que registrou alta de 113,6%, e Sergipe, com aumento de 71,4%. Também apresentaram crescimento Paraná (17%), Amapá (16,7%), Rio Grande do Sul (13,9%), São Paulo (10,1%) e Rio Grande do Norte (10%).

Especialistas alertam, porém, que os números podem ser ainda maiores devido à subnotificação. Em muitas situações, mulheres deixam de denunciar por medo, dependência financeira ou ausência de uma rede de proteção. No Amazonas, as grandes distâncias e o difícil acesso a comunidades rurais, ribeirinhas e aldeias indígenas também dificultam o registro das ocorrências e o atendimento às vítimas.

A diretora da Faculdade de Psicologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Iolete Ribeiro, defende que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa considerar as diferentes realidades existentes no estado.

Segundo ela, políticas públicas específicas devem contemplar mulheres indígenas, quilombolas e outros grupos que enfrentam obstáculos adicionais para acessar serviços de proteção. Para a pesquisadora, o combate à violência também passa pela educação e pela mudança de padrões culturais que reforçam comportamentos violentos.

Ela afirma que é necessário ampliar o debate sobre igualdade de gênero e trabalhar a prevenção entre os homens, além de fortalecer uma rede permanente de assistência às vítimas, em vez de concentrar ações apenas em campanhas pontuais ao longo do ano.

Outro ponto apontado por especialistas é a demora na implantação da Casa da Mulher Brasileira no Amazonas. Anunciada há mais de seis anos, a unidade ainda não entrou em funcionamento no estado.

O espaço faz parte de uma política pública federal e reúne, em um único local, delegacia especializada, apoio psicológico, assistência social, orientação jurídica e acolhimento para mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

Para Jacqueline Suriadakis, fundadora do projeto Fênix Amazonas, que presta apoio a vítimas de diferentes tipos de violência, a ausência dessa estrutura e de campanhas permanentes de conscientização contribui para o aumento dos casos.

Segundo ela, outros estados mantêm ações educativas durante todo o ano, enquanto no Amazonas essas iniciativas ainda ocorrem de forma limitada.

Procurada, a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc-AM) informou que já cumpriu todas as exigências necessárias para a retomada da obra da Casa da Mulher Brasileira e que mantém tratativas com a Caixa Econômica Federal para ajustes técnicos e orçamentários.

De acordo com a pasta, o cronograma de conclusão dos serviços somente será definido após a contratação da nova empresa responsável pela execução da obra.

Com informações de Waldick Júnior, Acritica.com

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