Sangue nas fezes e alteração intestinal exigem investigação rápida

Pesquisa mostra que muitos brasileiros reconhecem sinais ligados ao câncer colorretal, mas ainda adiam a procura por atendimento médico.
Foto: Jo Panuwat D/ Adobe Stock

A presença de sangue nas fezes, mudanças persistentes no funcionamento do intestino, dores abdominais e perda de peso sem explicação devem ser investigadas rapidamente. Os sintomas podem estar relacionados ao câncer colorretal, doença que apresenta maiores possibilidades de tratamento quando identificada nas fases iniciais.

Apesar do alerta, parte da população brasileira ainda demora a procurar assistência médica. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, que entrevistou mais de 2 mil pessoas em diferentes regiões do país.

As informações foram divulgadas em reportagem da jornalista Flávia Albuquerque, da Agência Brasil.

Segundo o levantamento, aproximadamente 8 em cada 10 entrevistados reconhecem que o aparecimento de sangue nas fezes e alterações intestinais por mais de um mês podem representar um problema grave.

Mesmo com esse nível de conhecimento, quase metade dos participantes afirmou não buscar atendimento imediatamente diante dos sintomas.

Entre os entrevistados, 9% disseram já ter percebido sangue nas fezes. Desse grupo, 59% procuraram um médico rapidamente, enquanto 40% adotaram outras atitudes ou simplesmente aguardaram o desaparecimento do sinal.

A pesquisa mostrou que 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar. Outros 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar atendimento.

Também foram registradas situações em que os participantes recorreram a remédios caseiros, mudanças na alimentação, medicamentos comprados diretamente em farmácias ou pesquisas na internet antes da avaliação de um profissional de saúde.

Exame simples ainda é desconhecido

Outro ponto destacado pelo estudo é o desconhecimento sobre a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes, conhecida pela sigla PSO.

O exame permite identificar pequenas quantidades de sangue que não podem ser percebidas visualmente e pode ajudar na detecção precoce de alterações no intestino.

De acordo com o levantamento, 67% dos entrevistados nunca ouviram falar no procedimento. Apenas 11% afirmaram já ter realizado o exame, enquanto 21% disseram conhecer o método, mas nunca passaram pela avaliação.

O desconhecimento é ainda maior entre pessoas de 16 a 24 anos, chegando a 85%. A falta de informação também foi mais frequente entre homens, pessoas de menor renda e entrevistados que estudaram somente até o ensino fundamental.

Diagnóstico precoce amplia chances de cura

O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, orienta que sinais persistentes não sejam ignorados.

Além do sangramento nas fezes e das alterações no ritmo intestinal, o especialista cita dor abdominal contínua e perda de peso sem causa aparente como sintomas que precisam ser avaliados.

“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas”, afirmou Samuel Aguiar.

O médico também destacou a importância de exames como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia para localizar a doença antes que ela avance.

A recomendação da idade para início do rastreamento pode variar conforme fatores individuais, presença de sintomas e histórico familiar. Por isso, a avaliação médica é necessária para definir o acompanhamento adequado para cada paciente.

Mais de 53 mil casos por ano

Estimativas do Instituto Nacional de Câncer indicam que o Brasil poderá registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no triênio de 2026 a 2028.

A projeção coloca a doença entre os tumores de maior incidência no país e reforça a necessidade de ampliar a prevenção, o acesso aos exames e a informação sobre os principais sinais.

O câncer colorretal atinge o cólon e o reto, partes do intestino grosso. Em muitos casos, a doença pode se desenvolver a partir de pólipos, lesões inicialmente benignas que podem ser identificadas e retiradas durante exames preventivos.

A orientação é procurar uma unidade de saúde ou profissional especializado diante de sangramento nas fezes, alteração intestinal persistente, anemia sem explicação, dores abdominais frequentes ou perda de peso involuntária.

Os sintomas não significam necessariamente a presença de câncer e também podem estar associados a outras condições. No entanto, somente a avaliação médica e os exames adequados podem esclarecer a causa.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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