Dólar cai a R$ 5,08, enquanto Bolsa registra quarta queda seguida

Real ganhou força com juros elevados e avanço do petróleo, mas perdas de mineradoras e tensões no Oriente Médio pressionaram o mercado de ações.
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (20) em queda de 0,42%, cotado a R$ 5,089, favorecido pela manutenção dos juros elevados no Brasil e pela valorização internacional do petróleo. Na Bolsa, o Ibovespa recuou 0,20% e fechou aos 173.371,35 pontos, acumulando a quarta sessão consecutiva de perdas.

O mercado financeiro iniciou o dia reagindo à possibilidade de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã. O ambiente, porém, voltou a ficar mais cauteloso após novas declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre o conflito no Oriente Médio.

As informações foram divulgadas pelo jornalista Wellton Máximo, da Agência Brasil, com dados da Reuters.

Dólar amplia queda acumulada em 2026

A moeda norte-americana chegou a ultrapassar R$ 5,11 nas primeiras negociações do dia, mas perdeu força após a divulgação de que mediadores internacionais apresentaram propostas para diminuir as tensões entre Washington e Teerã.

A notícia reduziu temporariamente a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar, e estimulou investimentos em moedas de países emergentes.

Com o resultado desta segunda-feira, o dólar passou a acumular queda de 1,42% em julho. Desde o início de 2026, a desvalorização da moeda norte-americana em relação ao real chega a 7,28%.

O movimento ocorreu mesmo com o dólar registrando valorização diante de moedas de algumas economias desenvolvidas.

Juros elevados atraem investidores

No cenário brasileiro, a diferença entre os juros praticados no Brasil e nos Estados Unidos continua contribuindo para o fortalecimento do real.

Esse cenário favorece as chamadas operações de carry trade. Nessa estratégia, investidores captam recursos em países com juros mais baixos e direcionam o dinheiro para mercados que oferecem remunerações maiores.

Apesar de envolver riscos cambiais e políticos, a operação pode aumentar a entrada de recursos estrangeiros no país e ampliar a oferta de dólares no mercado nacional.

Petróleo também favorece moeda brasileira

A valorização do petróleo foi outro fator que ajudou o real durante o pregão. Como o Brasil é exportador da commodity, preços mais elevados podem ampliar a entrada de dólares no país por meio das vendas externas.

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho. No acumulado do mês, as exportações cresceram 6,7%, impulsionadas principalmente pelos produtos da indústria extrativa.

O petróleo Brent, utilizado como referência internacional e pela Petrobras, avançou 1,27%, sendo negociado a US$ 89,22 o barril.

Durante o dia, o Brent chegou a superar brevemente os US$ 91, mas perdeu parte dos ganhos após o governo do Irã confirmar o recebimento de propostas para reduzir as tensões com os Estados Unidos.

Já o petróleo WTI, referência no mercado norte-americano, subiu 0,85% e terminou a sessão cotado a US$ 82,48 o barril.

Bolsa perde força após início positivo

O Ibovespa chegou a ultrapassar os 174 mil pontos durante a manhã, apoiado pela expectativa de avanço nas negociações diplomáticas envolvendo Estados Unidos e Irã.

O cenário mudou ao longo da tarde, depois que Donald Trump endureceu o discurso contra Teerã e declarou que novos ataques contra militares norte-americanos poderiam provocar uma resposta mais intensa.

A mudança de tom aumentou a cautela entre os investidores e reduziu o apetite por ativos de maior risco.

Mesmo com a valorização das ações da Petrobras, beneficiadas pela alta do petróleo, o principal índice da Bolsa brasileira terminou o dia em queda. As perdas de empresas ligadas à mineração tiveram peso relevante no resultado.

Conflito mantém mercado em alerta

As dúvidas sobre o abastecimento global de petróleo continuam influenciando as negociações nos mercados internacionais.

Entre os principais pontos de preocupação estão as restrições ao tráfego marítimo nas proximidades do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo.

Também permanecem sob acompanhamento as ameaças dos houthis de bloquear rotas de navegação no Mar Vermelho. Uma interrupção nesses corredores poderia elevar os custos do transporte, dificultar o fornecimento e pressionar ainda mais o preço dos combustíveis.

A evolução das negociações diplomáticas e as próximas declarações dos governos envolvidos deverão continuar influenciando o dólar, o petróleo e as bolsas de valores nos próximos pregões.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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