Preço dos alimentos cai e inflação de junho desacelera para 0,16%, diz IBGE

Queda nos preços de itens como café, carnes, frutas e tomate ajudou a reduzir o IPCA, que registrou o menor índice mensal desde outubro de 2025.
Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

A inflação oficial do Brasil perdeu força pelo quarto mês consecutivo e fechou junho em 0,16%, o menor resultado desde outubro de 2025. O principal fator para a desaceleração foi a queda no preço dos alimentos, que registraram a primeira redução desde novembro do ano passado, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência oficial da inflação no país, acumulou alta de 4,64% nos últimos 12 meses. Apesar de ainda permanecer acima da meta central de 3%, o índice ficou abaixo do acumulado registrado em maio, que era de 4,72%, aproximando-se do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, de 4,5%.

No primeiro semestre de 2026, a inflação acumulada chegou a 3,36%.

Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, alimentação e bebidas foi o único que exerceu forte pressão para baixo sobre o índice geral, com queda de 0,24%. Dentro desse grupo, a alimentação consumida em casa ficou, em média, 0,39% mais barata, refletindo maior oferta de alguns produtos e a acomodação de preços após meses de alta.

Os alimentos que mais contribuíram para essa redução foram:

  • Café moído (-3,72%);
  • Frutas (-1,58%);
  • Carnes (-0,64%);
  • Açaí em emulsão (-14,41%);
  • Óleo de soja (-2,78%);
  • Tomate (-2,02%).

Segundo o analista do IBGE, Fernando Gonçalves, a queda nos preços demonstra uma tendência de normalização em alguns produtos, especialmente aqueles que haviam registrado aumentos expressivos nos últimos meses.

Por outro lado, o grupo Habitação apresentou a maior pressão de alta no mês. O principal responsável foi o aumento de 1,53% na energia elétrica, influenciado pela permanência da bandeira tarifária amarela e por reajustes aplicados em algumas capitais brasileiras.

Já no grupo dos transportes, as passagens aéreas subiram 7,12%, enquanto os combustíveis registraram queda média de 0,48%, com redução nos preços do etanol, diesel, gás veicular e gasolina.

Outro indicador divulgado pelo IBGE mostrou que a inflação ficou menos espalhada pela economia. O chamado índice de difusão caiu para 54%, o menor patamar desde outubro de 2025, indicando que pouco mais da metade dos produtos e serviços pesquisados registrou aumento de preços.

O resultado de junho também ficou abaixo da expectativa do mercado financeiro. O boletim Focus, do Banco Central, projetava uma inflação de 0,32% para o mês.

O IPCA é o principal indicador utilizado pelo Banco Central para acompanhar o comportamento da inflação e definir a política de juros do país. O índice considera o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e pesquisa os preços de 377 produtos e serviços em diversas regiões brasileiras.

Conteúdo reproduzido de Agência Brasil

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