Justiça mantém afastados ex-diretores da Amazonprev por mais 90 dias

Investigados pela Polícia Federal em apuração sobre aplicações financeiras suspeitas seguem fora dos cargos enquanto diligências continuam.
Foto - Divulgação - Amazonprev

A Justiça Federal decidiu manter afastados por mais 90 dias três ex-diretores da Fundação Amazonprev investigados na Operação Sine Consensu, da Polícia Federal. A medida foi determinada pela juíza Ana Paula Serizawa, da 4ª Vara Federal Criminal do Amazonas, após pedido da PF para garantir a continuidade das investigações.

Permanecem afastados Claudinei Soares, ex-gestor de recursos e coordenador do Comitê de Investimentos; Cláudio Marins de Melo, ex-diretor de Administração e Finanças; e André Luis Bentes de Souza, ex-diretor de Previdência.

Segundo informações publicadas pelo portal Amazonas Atual, a Polícia Federal argumentou que ainda há diligências em andamento, incluindo a análise de documentos e equipamentos apreendidos durante a operação realizada em março deste ano.

De acordo com a decisão, o retorno dos investigados poderia comprometer o andamento das apurações, já que eles teriam acesso a documentos, sistemas internos e informações estratégicas relacionadas diretamente ao objeto do inquérito.

Ao justificar a prorrogação do afastamento, a magistrada destacou a complexidade do caso e a necessidade de aprofundamento das investigações antes da conclusão dos trabalhos policiais.

Na avaliação da juíza, a medida cautelar é necessária para preservar a produção de provas e evitar possíveis interferências nas apurações ainda em curso.

A Operação Sine Consensu investiga aplicações de recursos previdenciários consideradas irregulares pela Polícia Federal. Conforme a PF, a Amazonprev teria realizado investimentos de aproximadamente R$ 390 milhões em letras financeiras de instituições privadas em desacordo com regras de governança e normas federais que disciplinam a gestão de recursos previdenciários.

Entre as operações analisadas pelos investigadores está uma aplicação de R$ 50 milhões no Banco Master, instituição que atualmente se encontra em processo de liquidação extrajudicial.

A investigação também apura movimentações financeiras envolvendo uma empresa sediada em Niterói, no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Federal, os três ex-diretores teriam recebido, juntos, cerca de R$ 620,1 mil da empresa entre junho e dezembro de 2024, período em que ocorreram as operações financeiras sob suspeita.

Para os investigadores, existem indícios de que os pagamentos possam ter relação com os investimentos questionados. A PF sustenta que as transferências financeiras apresentam características consideradas atípicas e incompatíveis com movimentações regulares.

Em decisão anterior que autorizou mandados de busca e apreensão, a juíza Ana Paula Serizawa registrou que as movimentações identificadas apresentavam “indícios de cometimento do crime de corrupção”, conforme descrito nos autos da investigação.

Até o momento, o inquérito segue em andamento e não há decisão judicial definitiva sobre eventual responsabilização dos investigados. O afastamento tem caráter cautelar e foi mantido para preservar a continuidade das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Com informações do portal Amazonas Atual.

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