O Ministério das Relações Exteriores recomendou, nesta terça-feira (21), que brasileiros evitem viagens para países e territórios do Oriente Médio diante do agravamento das tensões militares na região. O alerta mais rigoroso abrange Irã, Israel, sul do Líbano, Faixa de Gaza e Iêmen.
A orientação foi divulgada pelo Itamaraty após uma nova sequência de ataques envolvendo o Irã, os Estados Unidos e países que abrigam instalações militares norte-americanas. O governo brasileiro também pediu cautela aos cidadãos que já estão na região.
As informações foram publicadas pelo repórter Luiz Claudio Ferreira, da Agência Brasil. O alerta consular também está disponível nos canais oficiais do Ministério das Relações Exteriores.
Viagens não essenciais também devem ser adiadas
Além dos locais para os quais a recomendação é não viajar, o Itamaraty orientou que deslocamentos considerados não essenciais sejam evitados para Cisjordânia, Síria, Iraque, Líbano, Jordânia, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita.
Até a divulgação do comunicado, não havia restrições gerais para conexões aéreas realizadas nesses países. O cenário, entretanto, pode sofrer alterações rápidas conforme a situação de segurança e a operação dos aeroportos.
Por isso, passageiros com viagens marcadas devem acompanhar os comunicados das companhias aéreas, verificar possíveis mudanças nos itinerários e consultar as orientações das embaixadas e dos consulados brasileiros.
Brasileiros devem evitar protestos e áreas militares
Aos cidadãos que permanecem no Oriente Médio, o governo brasileiro recomendou atenção constante às notícias e às publicações feitas pelas representações diplomáticas do Brasil.
Entre as principais orientações estão evitar multidões, manifestações e protestos, além de obedecer às determinações das autoridades locais.
O Itamaraty também alertou para que brasileiros não fotografem ou filmem instalações, veículos, operações ou integrantes das forças militares. Dependendo da legislação do país, esse tipo de conduta pode resultar em abordagem, interrogatório ou detenção.
Outra recomendação é não divulgar nas redes sociais imagens, vídeos ou mensagens relacionadas ao conflito que possam ser interpretadas pelas autoridades locais como ameaça ou ofensa à segurança nacional.
Antes de deixar hotéis ou residências, o viajante deve confirmar se há condições seguras de deslocamento e evitar áreas atingidas por ataques ou submetidas a operações militares.
Cancelamento de voos exige contato com companhias
Brasileiros afetados por cancelamentos devem procurar diretamente a companhia aérea responsável pelo voo para solicitar informações sobre remarcação, reembolso ou mudança de rota.
O Ministério das Relações Exteriores também orientou os viajantes a manterem os documentos em dia. O passaporte deve ter, preferencialmente, pelo menos seis meses de validade.
Telefones, endereços e contatos de emergência das representações brasileiras devem permanecer acessíveis. A lista de embaixadas e repartições consulares pode ser consultada no portal oficial do Itamaraty.
Escalada amplia riscos em diferentes países
O alerta foi publicado em meio ao aumento das hostilidades entre forças iranianas e norte-americanas. Ataques e operações militares passaram a atingir ou ameaçar instalações no Irã e em países como Bahrein, Kuwait e Jordânia.
Segundo as informações divulgadas pela Agência Brasil, autoridades iranianas anunciaram ofensivas contra estruturas ligadas aos Estados Unidos na região. O Comando Central norte-americano, por sua vez, informou ter atacado instalações militares, sistemas de defesa e pontos de lançamento de mísseis e drones no território iraniano.
A continuidade dos confrontos aumenta o risco de interrupção de voos, fechamento temporário de espaços aéreos e mudanças repentinas nos procedimentos de entrada, saída e circulação dentro dos países afetados.
Petróleo volta a subir com instabilidade
A crise também provoca reflexos econômicos fora da região. O preço internacional do petróleo voltou a subir diante do temor de interrupções na produção e no transporte de combustíveis.
O barril do petróleo Brent chegou a superar a faixa de US$ 90 em meio às ameaças contra rotas e infraestruturas estratégicas do Oriente Médio.
Uma alta prolongada pode aumentar os custos de transporte, pressionar a inflação internacional e gerar impactos nos preços dos combustíveis em diferentes países.
Enquanto o conflito não apresenta sinais consistentes de redução, a recomendação para brasileiros é adiar viagens, acompanhar os canais oficiais e manter contato com as representações diplomáticas do Brasil.
Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.


