A greve dos rodoviários de Manaus ganhou uma nova dimensão nesta segunda-feira, 20 de julho. Além do pagamento dos salários atrasados, o sindicato da categoria passou a exigir melhorias nas condições de trabalho, mudanças na remuneração e a abertura de uma negociação direta com a Prefeitura de Manaus e os empresários do transporte coletivo.
O presidente do sindicato, Givancir Oliveira, declarou que a paralisação não será encerrada automaticamente caso os salários sejam depositados. Segundo ele, os ônibus permanecerão fora de circulação até que o poder público e as empresas convoquem os trabalhadores para discutir toda a pauta apresentada.
“Hoje a cidade de Manaus está vendo a falta que fazem os rodoviários. E por que não respeitar eles? Eles que acordam debaixo de sol, debaixo de chuva, eles que levam o passageiro para cima e para baixo todo santo dia. E cadê o pagamento deles? Não tem”, afirmou.
Em entrevista na sede do sindicato, Givancir questionou como motoristas, cobradores, mecânicos e outros funcionários conseguirão manter as despesas familiares sem o pagamento dentro do prazo.
“Como é que esse motorista vai chegar em casa hoje? Vai dizer o quê para a mulher dele, para o filho dele? Porque eles não têm dinheiro por culpa da empresa que não paga em dia o trabalhador?”, declarou.
Paralisação não depende apenas dos salários
A categoria havia iniciado o movimento cobrando a regularização dos salários. No entanto, o presidente do sindicato afirmou que outras reivindicações acumuladas também deverão ser resolvidas antes da retomada integral do serviço.
“Primeiro, mesmo que caia o pagamento, a greve vai continuar”, disse Givancir.
A primeira exigência adicional é a reforma dos terminais de integração utilizados por passageiros e trabalhadores. Segundo o sindicalista, alguns espaços apresentam condições inadequadas de higiene, descanso e funcionamento.
“Reforma de todos os terminais, que estão pior do que chiqueiro de porco. Estão totalmente insalubres. A prefeitura tem que reformar”, afirmou.
O sindicato também reivindica o fim da compensação das horas trabalhadas durante os feriados. A categoria quer que os períodos sejam pagos como horas extras aos motoristas, cobradores e funcionários da manutenção.
“As empresas terão que pagar horas extras de feriado para motorista, cobrador e equipe de manutenção”, declarou o presidente.
Gratificação e auxílio-creche entram na pauta
Outro ponto apresentado pelo sindicato é a alteração na gratificação recebida pelos motoristas que acumulam a função de cobrador. A entidade pede que o benefício seja pago em dinheiro, substituindo o modelo atualmente adotado pelas empresas.
Givancir também anunciou a reivindicação de um auxílio-creche mensal no valor de R$ 300. Segundo ele, o benefício deverá alcançar não apenas as mulheres da categoria, mas todos os trabalhadores que sejam responsáveis por filhos pequenos.
“Os motoristas exigem um auxílio-creche de R$ 300 por mês. Todos os trabalhadores pais têm que ter também essa gratificação para auxiliar na creche”, disse.
O sindicalista afirmou que a categoria aguarda uma convocação para uma reunião ainda nesta segunda-feira. Para ele, a negociação precisa envolver simultaneamente os empresários e representantes da administração municipal.
“Está tudo errado. Vai ter de arrumar hoje. Os empresários e a prefeitura vão ter que me chamar”, declarou.
“Mesmo que paguem hoje, a greve continuará até que a prefeitura e os empresários nos convoquem para uma reunião.”
Givancir Oliveira, presidente do Sindicato dos Rodoviários
Prefeitura diz estar com pagamentos em dia
Em nota, a Prefeitura de Manaus informou, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana, que não possui débitos pendentes de 2026 com o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas.
A administração municipal declarou que as obrigações financeiras relativas ao ano corrente estão sendo executadas regularmente e reafirmou o compromisso com a manutenção do sistema de transporte coletivo.
A prefeitura também informou que segue adotando medidas para garantir a continuidade do serviço e que permanece aberta ao diálogo com as entidades representativas, desde que sejam preservados os direitos dos usuários.
Até o fechamento desta edição, não havia previsão para o fim da greve nem para a normalização da circulação dos ônibus em Manaus.


