Pesquisa Atlas/Intel aponta maior taxa de desaprovação do país e coloca o Amazonas na última posição do ranking nacional
A pesquisa da Atlas/Intel não deixa margem para interpretação confortável. Pelo segundo ano consecutivo, o governador do Amazonas, Wilson Lima, aparece na última colocação do Ranking dos Governadores do Brasil — um “bicampeonato” negativo que, nos bastidores da política, é interpretado como sinal de desgaste profundo, contínuo e estrutural.
O Ranking dos Governadores 2025, produzido pela Atlas/Intel, foi construído a partir de uma amostra robusta de 200.980 entrevistados em todo o país, com nível de confiança de 95% e margem de erro entre um e quatro pontos percentuais. O estudo vai além da popularidade momentânea e cruza percepção pública com desempenho em áreas centrais da gestão estadual.
No caso do Amazonas, os números são diretos e difíceis de relativizar. Wilson Lima registra apenas 25% de aprovação, contra 65% de desaprovação — o pior índice entre os 27 governadores brasileiros. Outros 10% não souberam responder.

Quando a pesquisa analisa a avaliação geral do governo, o cenário se agrava. Apenas 7% consideram a gestão ótima ou boa, enquanto 49% classificam como ruim ou péssima. A maior parte restante avalia como regular, um dado que, na leitura política, indica descrédito consolidado e baixa expectativa de reversão.

Ao aprofundar a análise por áreas, o diagnóstico deixa de ser pontual e passa a ser generalizado. O Amazonas aparece nas últimas posições em praticamente todos os setores avaliados:
- Segurança pública: 23ª posição
- Educação: 25ª posição
- Saúde: 25ª posição
- Transparência e combate à corrupção: 24ª posição
- Infraestrutura: 25ª posição
- Combate à pobreza: 25ª posição
- Responsabilidade fiscal: 23ª posição
- Obras públicas: 26ª posição
- Agricultura: 26ª posição
- Ambiente de negócios e moradia, urbanização e saneamento: 27ª posição

Ou seja, o problema não está concentrado em um único setor. O desempenho negativo se repete em áreas sociais, econômicas, administrativas e estruturais, formando um quadro de fragilidade ampla da gestão.
Outro dado relevante é o Índice de Imagem Pública, que avalia atributos como liderança, carisma, competência, compromisso com a população e firmeza nas decisões. Nesse recorte, Wilson Lima aparece na última colocação em todos os critérios, sinalizando uma desconexão consistente entre governo e sociedade.
O perfil de quem rejeita a gestão reforça essa leitura. A desaprovação é maior entre:
- Mulheres: 73,9% (contra 55,6% entre os homens)
- Eleitores de 45 a 49 anos: 77,9%
- Eleitores acima de 60 anos: 75,9%
Por recorte religioso e econômico, os índices também chamam atenção:
- Ateus ou agnósticos: 86,4% de desaprovação
- Católicos: 69,5%
- Pessoas sem religião: 63,2%
- Renda acima de R$ 10 mil: 75,9%
- Renda acima de R$ 5 mil: 74,4%

Nos bastidores da política, a leitura é clara: não se trata de discurso de oposição, ataque pessoal ou flutuação eleitoral. É uma avaliação nacional, consistente e sustentada por dados, que aponta falhas de gestão, entrega e confiança pública. Enquanto governadores como Ronaldo Caiado, Rafael Fonteles e Helder Barbalho lideram os índices de aprovação, o Amazonas fecha a fila do ranking.
Eleições 2026
Esse cenário ajuda a explicar o impacto político e eleitoral observado em outros levantamentos. Dados da pesquisa Real Time Big Data, realizada entre os dias 11 e 12 de dezembro, com 1.200 eleitores, indicam que, se as eleições para o Senado fossem neste final de semana, Wilson Lima ficaria fora das duas vagas em disputa em 2026.

No cenário principal, Capitão Alberto Neto lidera com 22%, seguido por Eduardo Braga, com 20%. Wilson Lima aparece com 16%, fora da rodada principal. Mesmo quando o tabuleiro é alterado, o resultado pouco se modifica: sem Capitão Alberto Neto na disputa, o governador sobe para 17%, ficando tecnicamente empatado com Maria do Carmo, que registra 16%.

Paralelamente, a avaliação do governo segue pressionada. A desaprovação subiu de 51% para 53%, enquanto 32% dos amazonenses classificam a gestão como ruim ou péssima. Apenas 21% avaliam o governo como bom ou ótimo.
Nos bastidores, a leitura é direta: Wilson Lima encerra o atual ciclo político com os piores índices de opinião popular do país, o que dificulta a construção de um projeto competitivo para o Senado em 2026. Não por falta de cargo ou visibilidade institucional, mas por escassez de crédito político junto ao eleitorado.
Na política, o cargo amplia exposição, mas não sustenta sozinho um projeto eleitoral. Pelo desenho atual das pesquisas, Wilson Lima entra no próximo jogo mais pressionado do que protagonista.
Fontes: Atlas/Intel e Real Time Big Data.