A regulamentação dos chamados “carros voadores” avançou no Brasil com a abertura de uma consulta pública sobre os critérios de ruído do Eve 100, aeronave elétrica desenvolvida pela Eve, empresa ligada à Embraer. A proposta está sendo analisada pela Agência Nacional de Aviação Civil e representa uma das etapas necessárias para a futura autorização das operações comerciais do modelo.
As informações foram divulgadas pelo jornalista Guilherme Jeronymo, da Agência Brasil.
O documento elaborado pelo setor de programas de certificação da Anac estabelece parâmetros técnicos para os testes de ruído durante os voos. A consulta pública permanece aberta até o próximo dia 8 e permitirá o envio de contribuições antes da definição das regras finais.
Um dos critérios apresentados prevê que, em condições ideais de operação e a cerca de 150 metros de altura, o som percebido no solo fique próximo de 15 decibéis. Segundo a referência utilizada no processo, o nível seria semelhante ao de um sussurro.
A avaliação do impacto sonoro é considerada essencial para a utilização desse tipo de aeronave em áreas urbanas. Como os veículos deverão circular próximos a regiões residenciais, centros comerciais e aeroportos, a emissão de ruídos pode influenciar diretamente a definição das rotas, dos horários e das áreas autorizadas para pousos e decolagens.
Certificação é etapa necessária para os primeiros voos
O Eve 100 integra a categoria conhecida como eVTOL, sigla em inglês utilizada para veículos elétricos de decolagem e pouso vertical. As aeronaves são projetadas para realizar trajetos curtos e médios, transportando passageiros sem a necessidade de pistas convencionais.
A proposta é que os modelos operem a partir de estruturas conhecidas como vertiportos, que poderão ser instaladas em aeroportos, edifícios, centros empresariais e pontos estratégicos das cidades.
A análise das regras de ruído representa o primeiro processo desse tipo voltado a uma aeronave elétrica de pouso e decolagem vertical no país. A certificação ambiental é uma das exigências para que o veículo receba autorização para transportar passageiros.
O CEO da Eve, Johann Bordais, classificou a publicação dos critérios como um marco no desenvolvimento do projeto.
“A publicação da Anac da proposta dos critérios de ruído é um marco importante no desenvolvimento e na certificação do Eve 100”, afirmou.
O executivo também destacou que a elaboração de normas específicas pode contribuir para a integração segura dessa nova tecnologia ao sistema de transporte.
“Valorizamos a liderança da Anac e sua abordagem colaborativa no desenvolvimento de uma estrutura adaptada a esta aeronave de tecnologia emergente. Essa iniciativa apoia a introdução segura e responsável das operações de eVTOL para a mobilidade urbana, ao mesmo tempo em que promove o alinhamento regulatório internacional”, declarou.
Veículo elétrico desperta interesse internacional
Ainda em fase de desenvolvimento e certificação, o Eve 100 já atrai o interesse de investidores e empresas de diferentes países. O modelo é apresentado como uma alternativa para reduzir o tempo de deslocamento em regiões metropolitanas e ampliar a ligação entre cidades próximas.
A propulsão elétrica também fortalece o apelo ambiental do projeto, especialmente diante da busca do setor aéreo por tecnologias capazes de reduzir a emissão de poluentes e o consumo de combustíveis fósseis.
A Eve anunciou a assinatura de uma intenção de compra de 30 aeronaves com a empresa Moov. Os veículos deverão ser destinados ao turismo e ao transporte regional em Cabo Verde, arquipélago localizado na costa oeste da África.
O acordo ainda não representa a entrega imediata das aeronaves, mas indica o potencial comercial da tecnologia antes mesmo da conclusão do processo de certificação.
A expectativa é que os primeiros eVTOLs entrem em operação comercial ainda nesta década. Antes disso, fabricantes e autoridades precisarão definir regras relacionadas à segurança, treinamento de pilotos, manutenção, controle do espaço aéreo, infraestrutura e limites de ruído.
Com o avanço da consulta pública, o Brasil passa a consolidar parte da estrutura regulatória necessária para uma modalidade de transporte que ainda parece futurista, mas que já começa a se aproximar da rotina das grandes cidades.
Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.


