Tarifa de 25% dos EUA entra em vigor e atinge 2,3 mil produtos

Medida alcança 19% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano; governo prepara crédito e ações para redirecionar mercadorias.
Foto: Imagem produzida com IA

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22). A medida atinge cerca de 2,3 mil mercadorias e amplia a pressão sobre empresas nacionais que dependem do mercado americano, principalmente nos setores industrial e de bens manufaturados.

Segundo informações do jornalista Lucas Pordeus Leon, da Agência Brasil, aproximadamente 19% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos serão alcançadas pela nova cobrança. O valor dos negócios afetados é estimado entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões, conforme cálculos da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a ApexBrasil, e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil.

A tarifa foi apresentada pelo governo americano após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR. O órgão acusa o Brasil de adotar determinadas práticas comerciais consideradas desleais pelo governo de Donald Trump.

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Indústria concentra produtos atingidos

A lista de mercadorias submetidas à tarifa inclui principalmente eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados. Esses setores possuem participação relevante nas vendas brasileiras para o mercado americano e poderão enfrentar perda de competitividade com o aumento do custo de entrada nos Estados Unidos.

O mercado americano é o principal destino internacional dos eletroeletrônicos produzidos no Brasil. No segmento de máquinas e equipamentos, os Estados Unidos recebem aproximadamente um quarto das exportações brasileiras.

Embora cerca de 2,3 mil produtos sejam afetados, aproximadamente 700 mercadorias foram incluídas na relação de isenções. O número ficou acima dos 615 produtos que haviam sido previstos durante as negociações anteriores.

Entre os itens que já haviam sido mencionados como possíveis exceções estão café, carnes, peças de aeronaves, terras raras, produtos farmacêuticos, fertilizantes e determinados produtos agrícolas.

São Paulo e Santa Catarina sofrem maior impacto

São Paulo e Santa Catarina concentram juntos 52% do valor das exportações atingidas pela medida, de acordo com levantamentos da ApexBrasil.

Somente São Paulo responde por 41,6% do total afetado, resultado do peso do estado na produção industrial e nas vendas externas brasileiras.

Em Santa Catarina, entretanto, o impacto proporcional tende a ser mais intenso. Cerca de 68% das exportações catarinenses destinadas aos Estados Unidos estão incluídas na nova taxação, o que aumenta a preocupação entre fabricantes de máquinas, móveis, componentes industriais e calçados.

Governo brasileiro rejeita justificativas

O processo conduzido pelo USTR analisou políticas brasileiras relacionadas a pagamentos eletrônicos, regulação de plataformas digitais, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual e acordos comerciais do Brasil com México e Índia.

O governo brasileiro contesta as acusações e afirma que as regras comerciais adotadas pelo país são transparentes, não discriminatórias e compatíveis com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também declarou que a medida teria motivação política. Segundo o chanceler, representantes americanos teriam exigido maior abertura do mercado brasileiro sem oferecer contrapartidas equivalentes.

A nova tarifa aprofunda um período de tensão comercial entre Brasília e Washington e poderá exigir novas rodadas de negociação para evitar que outros setores sejam incluídos em futuras restrições.

Crédito e novos mercados entram na estratégia

Para reduzir os prejuízos, o governo federal anunciou que pretende retomar medidas de apoio financeiro aos setores atingidos. Entre as ações avaliadas estão linhas de crédito destinadas a capital de giro, investimentos e adaptação das empresas exportadoras.

Também está em discussão a flexibilização temporária de regras tributárias aplicadas aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados ao exterior.

Outra frente será o redirecionamento das mercadorias para novos compradores. A ApexBrasil prepara um plano de aproximadamente R$ 130 milhões para ampliar a presença de empresas brasileiras em mercados considerados estratégicos.

A prioridade deverá incluir países da União Europeia e integrantes da Associação de Nações do Sudeste Asiático, como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã. Nações da Ásia Central, entre elas Cazaquistão e Uzbequistão, também aparecem na estratégia de diversificação.

A busca por novos destinos já foi apontada em estudos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social como um instrumento capaz de reduzir os efeitos de barreiras comerciais sobre as exportações brasileiras.

Consequências podem chegar ao emprego

Embora a tarifa seja cobrada quando o produto brasileiro entra nos Estados Unidos, seus efeitos podem alcançar toda a cadeia produtiva nacional.

Empresas que perderem pedidos poderão reduzir a produção, adiar investimentos ou buscar outros compradores. Dependendo da duração das restrições, municípios com forte concentração industrial também poderão enfrentar reflexos sobre arrecadação, geração de empregos e renda.

O impacto final dependerá da capacidade de negociação entre os dois governos, do número de mercadorias que conseguirem novas isenções e da rapidez com que as empresas brasileiras encontrarem mercados alternativos.

Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.

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