A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a ampliação do uso de dois medicamentos destinados ao tratamento de crianças e adolescentes diagnosticados com lúpus e esclerose múltipla. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e envolve o belimumabe, comercializado como Benlysta, e o ocrelizumabe, conhecido como Ocrevus.
As novas indicações permitem que pacientes pediátricos tenham acesso a terapias já utilizadas em adultos e em determinados grupos de crianças, ampliando as alternativas disponíveis para o controle de doenças autoimunes consideradas complexas e potencialmente graves.
As informações foram divulgadas pela repórter Alice Rodrigues, da Agência Brasil, em texto produzido sob supervisão da jornalista Mariana Tokarnia.
Medicamento contra lúpus é liberado a partir dos 5 anos
O Benlysta, produzido pela GSK Brasil, passa a ser indicado como tratamento complementar para crianças com 5 anos ou mais diagnosticadas com lúpus eritematoso sistêmico ativo.
A autorização é direcionada principalmente a pacientes que apresentam elevada atividade da doença e que já realizam o tratamento convencional, com medicamentos como corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou outros imunossupressores.
A ampliação também inclui apresentações em caneta aplicadora e autoinjetora. A alternativa pode facilitar a administração do medicamento e reduzir a necessidade de deslocamento frequente dos pacientes até centros especializados em infusão.
A versão intravenosa do belimumabe já possuía autorização para uso em pacientes pediátricos. Com a nova decisão, famílias e equipes médicas passam a contar com mais uma forma de aplicação, conforme avaliação e prescrição profissional.
Tratamento para esclerose múltipla chega a adolescentes
A Anvisa também ampliou o uso do Ocrevus, fabricado pela Roche, para pacientes com 12 anos ou mais e peso mínimo de 40 quilos.
O medicamento é indicado para o tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente, forma da doença marcada por períodos de surgimento ou agravamento de sintomas neurológicos, seguidos por fases de recuperação parcial ou completa.
O ocrelizumabe é um anticorpo monoclonal desenvolvido para reduzir a atividade inflamatória provocada pelo sistema imunológico no sistema nervoso central.
Segundo o neurologista e neuroimunologista Caio Disserol, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a liberação permite que adolescentes tenham acesso mais cedo a uma terapia considerada de alta eficácia.
O especialista avalia que o início precoce e direcionado do tratamento pode contribuir para melhorar o prognóstico dos pacientes no longo prazo.
Lúpus pode atingir diferentes órgãos
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune. Isso significa que o próprio sistema imunológico passa a atacar células e tecidos saudáveis do organismo.
A condição pode afetar a pele, as articulações, os rins, o cérebro e outros órgãos. Em situações graves e sem tratamento adequado, pode provocar complicações que colocam a vida do paciente em risco.
Entre os sintomas mais frequentes estão febre, dores ou rigidez muscular, inchaço, queda de cabelo e lesões na pele que podem surgir ou piorar após a exposição ao sol.
Dados da Sociedade Brasileira de Reumatologia indicam que o lúpus atinge entre 150 mil e 300 mil pessoas no Brasil, com maior ocorrência entre mulheres de 20 a 45 anos.
O diagnóstico depende da análise clínica e da realização de exames como hemograma, exame de urina e, em alguns casos, biópsia renal.
Esclerose múltipla afeta comunicação do cérebro
A esclerose múltipla também é uma doença crônica e autoimune. Nesse caso, o sistema de defesa do organismo ataca a mielina, camada responsável por proteger as fibras nervosas.
Quando essa proteção é danificada, a comunicação entre o cérebro e outras regiões do corpo pode ficar comprometida.
Os pacientes podem apresentar fadiga intensa, formigamento, dormência, alterações na visão, fraqueza muscular, falta de equilíbrio e dificuldades para controlar a bexiga.
A manifestação antes dos 18 anos é considerada rara, mas pode apresentar evolução mais agressiva. Por isso, especialistas destacam a importância do diagnóstico e do início do tratamento o mais cedo possível.
As causas da esclerose múltipla ainda não são totalmente conhecidas. Estudos apontam que a doença pode estar relacionada a fatores genéticos e ambientais, incluindo infecções virais, tabagismo e obesidade.
A ampliação aprovada pela Anvisa não significa que os medicamentos serão indicados automaticamente para todos os pacientes. A decisão sobre o uso deve ser tomada por médicos especialistas após a avaliação individual de cada criança ou adolescente.
Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.


