Silvia Waiãpi é barrada pelo PL e acusa perseguição na convenção do Amapá

Ex-deputada afirma que foi retirada da nominata sem aviso prévio e acusa grupo político de tentar silenciá-la; Palmira Bitencourt foi escolhida para assumir a vaga.
Foto - Vinicius Loures - Câmara dos Deputados

A ex-deputada federal Silvia Waiãpi foi retirada da nominata do Partido Liberal para as Eleições de 2026 no Amapá. A decisão foi comunicada durante a convenção da legenda, realizada no Ginásio do Santa Inês, em Macapá, e provocou uma reação pública da ex-parlamentar.

Sem condições jurídicas para disputar o pleito, Silvia acabou substituída por Palmira Bitencourt na relação de candidatos do partido. A ex-deputada, no entanto, afirmou que já havia encaminhado o nome que pretendia utilizar nas urnas e participado da definição dos números dos candidatos.

Segundo Silvia, a direção partidária deixou para informá-la sobre a exclusão somente durante a convenção.

“Eles deixaram para noticiar para mim, na hora da convenção, que me tiraram da nominata. Sendo que, anteriormente, eu já tinha mandado o meu nome de urna. Nós já tínhamos escolhido e sorteado números para poder concorrer no pleito”, declarou.

Foto: Divulgação Redes Sociais

Ex-deputada questiona documento apresentado pelo partido

Silvia afirmou que recebeu como justificativa a existência de um parecer jurídico produzido pela direção nacional do PL. De acordo com ela, o documento não foi apresentado previamente e não teria elementos oficiais que comprovassem a origem atribuída pela direção estadual.

“Disseram que existia um parecer jurídico da nacional, do PL nacional, e não me deixaram ver o documento. Na convenção, eu puxei o documento para ver e ele não está assinado pelo Valdemar da Costa Neto. Não tem logo do PL. É um documento apócrifo”, afirmou.

A ex-parlamentar também declarou que enfrenta resistência dentro da sigla desde as eleições de 2022. Na avaliação apresentada por ela, a exclusão seria parte de um processo de perseguição política.

“Primeiro, eu sou perseguida dentro do PL desde 2022. Em 2022, eu gravei um vídeo na porta do TRE porque eles não me deram horário político eleitoral gratuito”, disse.

Silvia ainda relacionou o episódio à sua origem indígena e afirmou que teria sofrido tratamento desigual dentro da estrutura partidária.

“Querem impedir uma mulher indígena. Isso é racismo estrutural. Eu tenho direito como qualquer cidadão brasileiro”, declarou.

As afirmações são de responsabilidade da ex-deputada. Até o momento, não foram apresentados elementos independentes que comprovem a existência de motivação racial na decisão tomada pelo partido.

Silvia acusa Furlan de atuar nos bastidores

Durante a manifestação, Silvia direcionou críticas ao ex-prefeito de Macapá Antônio Furlan, atualmente filiado ao PSD. Ela o acusou de ter participado de articulações para impedir sua permanência na nominata do PL.

A ex-deputada também questionou a situação jurídica do adversário e alegou ter sido submetida a um constrangimento público durante o encontro partidário.

“Você não é brasileiro, você é um traidor”, afirmou Silvia ao se dirigir a Furlan.

A acusação não foi acompanhada da apresentação de provas durante a transmissão divulgada nas redes sociais. O espaço permanece aberto para manifestações de Antônio Furlan e das direções estadual e nacional do Partido Liberal.

Decisão do TSE criou barreira jurídica

A retirada de Silvia Waiãpi ocorreu em meio à situação jurídica enfrentada pela ex-parlamentar na Justiça Eleitoral. Em 30 de abril de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral manteve, por unanimidade, a cassação do diploma obtido por ela nas eleições de 2022.

O processo analisou o uso de R$ 9 mil provenientes do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, o dinheiro público destinado à campanha teria sido utilizado para pagar um procedimento de harmonização facial.

O relator do caso, ministro André Mendonça, rejeitou o argumento da defesa de que seria necessária uma perícia para confirmar a realização do procedimento. No julgamento, prevaleceu o entendimento de que os depoimentos, documentos e demais elementos reunidos no processo eram suficientes para comprovar a irregularidade.

A Corte também considerou grave a utilização de documentação fiscal apontada como inidônea para justificar o pagamento. Além da cassação, foi determinada a devolução integral dos R$ 9 mil ao Tesouro Nacional.

A investigação começou depois que uma ex-coordenadora da campanha afirmou ao Ministério Público Eleitoral que teria transferido o dinheiro para a clínica responsável pelo procedimento por determinação da então candidata.

Foto: Divulgação TSE

Exclusão amplia tensão dentro do PL

A retirada de Silvia expõe uma disputa interna no PL do Amapá em pleno período de definição das candidaturas. Além de alterar a composição da chapa proporcional, o episódio abre um novo foco de tensão entre diferentes grupos da legenda.

Mesmo fora da nominata, Silvia afirmou que pretende continuar se manifestando politicamente e defendendo sua representação junto ao eleitorado da Região Norte.

“Não irão se aproveitar do meu flagelo histórico para me silenciar. Eu sei a quem eu represento. Eu represento o povo do Norte, o povo que vive na Amazônia, o povo do Amapá. Essa trupe do mal não vai me silenciar”, declarou.

A substituição por Palmira Bitencourt permite que o partido mantenha sua nominata sem depender de uma candidatura sujeita a questionamentos jurídicos. Politicamente, porém, a reação de Silvia pode aprofundar divisões internas e gerar novos desdobramentos durante a campanha eleitoral no Amapá.

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