Governo aumenta teor de etanol na gasolina para 32% durante 180 dias

Nova mistura será adotada temporariamente em todo o país e poderá reduzir em 900 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina.
Foto - José Cruz - Agência Brasil

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira, 14 de julho, o aumento de 30% para 32% da quantidade obrigatória de etanol anidro misturado à gasolina vendida no Brasil.

A nova composição, denominada E32, terá validade inicial de 180 dias e poderá ser prorrogada pelo governo federal.

A mudança busca ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética e diminuir a dependência brasileira da gasolina importada, em meio às oscilações no mercado internacional de petróleo.

Segundo informações divulgadas pelo repórter Alex Rodrigues, da Agência Brasil, o Ministério de Minas e Energia estima que a medida permitirá ao país deixar de importar cerca de 900 milhões de litros de gasolina por ano.

Governo cita instabilidade no mercado internacional

A decisão foi tomada em um cenário de preocupação com possíveis dificuldades no abastecimento global e com a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a maior utilização do etanol produzido no Brasil pode reduzir a exposição do país às variações externas, além de fortalecer a cadeia nacional de biocombustíveis.

O etanol anidro é o tipo de álcool que já vem misturado à gasolina comercializada nos postos.

Com a resolução do CNPE, a participação desse componente subirá 2 pontos percentuais durante o período de vigência da medida.

Testes avaliaram veículos flex, motos e motores a gasolina

Antes da aprovação, a mistura E32 foi submetida a testes técnicos realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia.

Segundo o governo, as avaliações apontaram que o combustível pode ser utilizado em veículos leves, motocicletas e automóveis que não possuem motor flex sem comprometer o desempenho ou provocar aumento significativo no consumo.

A análise técnica foi considerada necessária porque milhões de veículos em circulação no país foram fabricados para funcionar exclusivamente com gasolina.

O impacto efetivo da mudança nos preços cobrados nas bombas dependerá de fatores como tributação, custos de produção, logística, cotação do petróleo e comportamento das distribuidoras.

Mistura de 35% continuará sendo estudada

Enquanto a gasolina E32 passa a ser adotada, o governo continuará avaliando a possibilidade de aumentar futuramente a mistura para 35% de etanol anidro.

Os estudos sobre a chamada E35 deverão observar principalmente a durabilidade de peças, componentes e sistemas automotivos após a utilização prolongada do combustível.

A ampliação para 35%, portanto, ainda não foi autorizada e dependerá dos resultados das análises técnicas.

A mudança para 32% representa mais uma etapa da política federal de incentivo aos combustíveis renováveis.

Além de tentar reduzir as importações, a medida pode ampliar a demanda pela produção nacional de etanol e aumentar a participação de fontes renováveis no setor de transportes.

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