SUS inicia teste com caneta emagrecedora para pacientes com obesidade

Projeto-piloto atenderá 250 pacientes no Rio Grande do Sul e avaliará eficácia, impacto clínico e custos da semaglutida antes de uma possível ampliação no sistema público.
Marcello Casal jr/Agência Brasil

O Ministério da Saúde deu início, nesta sexta-feira (26), ao primeiro projeto-piloto para uso da semaglutida no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa será realizada no Rio Grande do Sul e pretende avaliar os resultados do medicamento, conhecido por integrar a classe das chamadas “canetas emagrecedoras”, no tratamento de pacientes com obesidade grave.

Nesta fase inicial, 250 pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição participarão do estudo. Todos já fazem acompanhamento pelo SUS e apresentam obesidade severa ou associada a outras doenças, como problemas cardiovasculares, além de indicação para cirurgia bariátrica.

A proposta do projeto é reunir informações que possam embasar futuras decisões sobre a adoção do medicamento na rede pública. Durante dois anos, especialistas acompanharão indicadores como perda de peso, melhora da qualidade de vida, evolução dos exames clínicos, recuperação após procedimentos cirúrgicos e os custos do tratamento.

Segundo o Ministério da Saúde, o perfil dos pacientes escolhidos reflete a realidade da unidade hospitalar. Cerca de 91% dos atendidos apresentam obesidade mórbida, mas menos da metade possui condições clínicas para realizar cirurgia bariátrica. A hipertensão arterial é a comorbidade mais frequente entre esse grupo.

Para participar do estudo, os pacientes precisam ter diagnóstico de obesidade há pelo menos um ano, histórico de insucesso em tratamentos convencionais — como dieta e atividade física supervisionadas — e capacidade de realizar a autoaplicação da medicação ou contar com auxílio de um cuidador.

A pesquisa será financiada por recursos destinados ao hospital por meio da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), provenientes de aporte financeiro da fabricante do medicamento.

Incorporação ao SUS ainda enfrenta desafio

Apesar do início do estudo, a semaglutida ainda não faz parte da lista de medicamentos disponibilizados pelo SUS para tratamento da obesidade.

Em agosto de 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) recomendou que tanto a semaglutida quanto a liraglutida não fossem incorporadas à rede pública. A principal justificativa foi o elevado impacto financeiro da medida.

De acordo com estimativas do Ministério da Saúde, a inclusão dos medicamentos poderia representar um custo anual de aproximadamente R$ 8 bilhões aos cofres públicos. O projeto-piloto busca justamente produzir evidências sobre a efetividade clínica e o custo-benefício da terapia antes de qualquer decisão sobre uma eventual ampliação do tratamento para outras unidades do país.

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