A recente declaração do deputado federal Saullo Vianna, afirmando que a Prefeitura de Manaus não pode ser usada como “vitrine eleitoral” por David Almeida na disputa pelo Governo do Amazonas, aumentou ainda mais a tensão política entre antigos aliados.
Saullo deu a declaração em maio de 2026, durante entrevista ao programa Exclusiva, da jornalista Rosiane Carvalho, na BandNews Difusora.
O posicionamento surgiu poucos dias após o Instituto Action divulgar pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AM-05601/2026. O levantamento apontou David Almeida com o maior índice de rejeição entre os pré-candidatos ao Governo do Amazonas, com 31%. Já o senador Omar Aziz apareceu liderando a corrida eleitoral, também com 31% das intenções de voto.
No entanto, David Almeida reagiu imediatamente aos números.
Nas redes sociais, o ex-prefeito questionou a credibilidade da pesquisa e relembrou as eleições municipais de 2024. Segundo David, o mesmo instituto também apresentou números diferentes do resultado final da disputa, quando ele acabou reeleito prefeito de Manaus.
Mesmo assim, a fala de Saullo repercutiu nos bastidores políticos porque, até poucos meses atrás, o deputado era um dos principais aliados do ex-prefeito dentro da prefeitura.
Saullo mudou de grupo político ao longo dos últimos anos
A trajetória política de Saullo Vianna passou por várias mudanças de alianças desde 2018.
Naquele ano, ele conquistou mandato de deputado estadual dentro do grupo político do então governador Amazonino Mendes.
Depois da derrota de Amazonino, Saullo se aproximou do grupo de Wilson Lima. Além disso, permaneceu alinhado ao União Brasil durante boa parte do mandato.
Porém, o primeiro grande rompimento aconteceu nas eleições municipais de 2024.
Enquanto Wilson Lima decidiu apoiar Roberto Cidade para prefeito de Manaus, Saullo escolheu apoiar David Almeida.
Em agosto de 2024, durante a convenção do Avante, o deputado afirmou que David “não era marionete de ninguém” e declarou apoio público à reeleição do então prefeito. O posicionamento contrariou, inclusive, a orientação política do próprio União Brasil.
Aproximação com David aumentou em 2025
A relação política entre Saullo e David ficou ainda mais próxima em janeiro de 2025.
Naquele período, Saullo assumiu a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc). Além disso, passou a defender publicamente programas sociais da prefeitura, como:
- Prato do Povo
- Manaus Cidadã
- ações da assistência social municipal
Poucos meses depois, o cenário político mudou novamente.
Em fevereiro de 2025, Saullo anunciou saída do União Brasil durante entrevista à Rede Onda Digital. Logo depois, filiou-se ao MDB, legenda liderada no Amazonas pelo senador Eduardo Braga.
Nos bastidores, aliados e adversários interpretaram o movimento como uma aproximação direta ao grupo político de Omar Aziz.
Distanciamento ficou mais evidente
Mesmo já próximo de Omar Aziz, Saullo ainda evitava falar publicamente em rompimento político com David Almeida.
Em março de 2026, por exemplo, o deputado afirmou que fazia a “boa política” e que não pretendia “quebrar pontes” com antigos aliados. Além disso, reconheceu entregas da gestão municipal, principalmente na área social.
Agora, porém, o cenário é diferente.
Analistas políticos enxergaram a declaração de Saullo sobre “vitrine eleitoral” como mais um sinal de alinhamento ao grupo político de Omar Aziz, justamente no momento em que o senador aparece fortalecido nas pesquisas estaduais.
O mapa político de Saullo Vianna
A trajetória recente do deputado pode ser resumida em quatro movimentos políticos:
| Período | Grupo político |
|---|---|
| 2018 | Amazonino Mendes |
| 2019–2024 | Wilson Lima / União Brasil |
| 2024–2025 | David Almeida / Avante |
| 2025–2026 | Omar Aziz / MDB |
As constantes mudanças de alianças fizeram Saullo acumular críticas nos bastidores da política amazonense. Adversários classificam o deputado como um político de posicionamentos flexíveis.
Por outro lado, aliados afirmam que Saullo apenas pratica uma política pragmática, baseada em diálogo e sobrevivência eleitoral.
E a cinco meses da eleição, o deputado parece já ter definido qual projeto considera mais forte no atual tabuleiro político do Amazonas.