A crise dos buracos nas ruas de Manaus acabou abrindo um novo capítulo da disputa política entre o prefeito Renato Junior e o governador Roberto Cidade. O embate começou após o prefeito pedir publicamente apoio do Governo do Amazonas para ampliar as ações de recapeamento e recuperação viária na capital.

Durante o lançamento da operação “Tapa-Buracos”, Renato Junior afirmou que o pedido era institucional e sem interesses políticos.
“Fiz aqui um apelo sem egos e sem vaidades, de forma institucional, respeitosa”, declarou o prefeito. Segundo ele, a Prefeitura não solicitou repasse de recursos, mas sim uma atuação direta do Estado nas ruas da cidade.
Renato também destacou que Manaus enfrenta dificuldades agravadas pelas fortes chuvas e defendeu união entre as gestões.
“Existe uma população, 56% do Estado do Amazonas mora em Manaus, então acho que essa responsabilidade é de todos nós”, afirmou.

A resposta do governador veio no dia seguinte. Roberto Cidade disse que não aceita que tentem transferir ao Governo do Estado a responsabilidade pelos problemas da malha viária da capital.
“Isso é uma estratégia política para tirar uma responsabilidade que é dele”, declarou o governador.
Cidade também afirmou que assumiu oficialmente o comando do Estado há poucos dias e ressaltou os repasses feitos à Prefeitura de Manaus nos últimos anos.
“De 2019 para cá, o Estado do Amazonas já mandou mais de R$ 17 bilhões para a Prefeitura de Manaus”, disse.
Mesmo diante das críticas, o governador afirmou manter disposição para diálogo.
“Todo mundo sabe que eu sou uma pessoa do diálogo”, declarou.
Horas depois, Renato Junior voltou a responder e evitou ampliar o confronto político. O prefeito disse que não pretende transformar o debate em “queda de braço” entre Prefeitura e Governo.
“Eu não vou entrar em defesa de brigas ou política ou responder contra opulência”, afirmou.
Na entrevista, Renato também rebateu o argumento financeiro usado pelo governador e destacou a importância econômica da capital para o Estado.
“Manaus representa mais de 80% da arrecadação de todo o Governo do Estado do Amazonas”, disse.
O prefeito ainda afirmou que a população espera soluções práticas e não disputas políticas.
“Entrar nessa briguinha política é muito pequeno. Eu acho que Manaus espera estadistas”, declarou.
Para o cientista político Carlos Santiago, o embate entre Prefeitura e Governo pode afastar o foco principal da população, que é a solução dos problemas urbanos.
“O contribuinte não quer saber quem vai executar o serviço. Ele paga impostos e merece respostas”, avaliou.