PL da Dosimetria avança no Senado sob acusações de “acordão” entre Planalto, oposição e STF

Senador Alessandro Vieira afirma que governo Lula destravou votação em troca de espaço fiscal e aponta atuação de Alexandre de Moraes nos bastidores do texto aprovado.

Senador Alessandro Vieira afirma que governo Lula destravou votação em troca de espaço fiscal e aponta atuação de Alexandre de Moraes nos bastidores do texto aprovado.

A aprovação do Projeto de Lei da Dosimetria no Senado, na última quarta-feira (17), expôs mais do que uma simples mudança nos critérios de aplicação de penas. Segundo denúncias feitas pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o avanço do texto foi resultado de um acordo político articulado nos bastidores de Brasília, envolvendo o governo federal, setores da oposição e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com Vieira, o governo do presidente Lula teria viabilizado a votação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) como parte de um acerto mais amplo. Em troca do avanço do PL da Dosimetria — que reduz penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro — o Planalto teria assegurado apoio para a aprovação de um Projeto de Lei Complementar que abre espaço fiscal estimado entre R$ 20 bilhões e R$ 22 bilhões.

“O que a gente viu foi a consequência de um acordo firmado entre o governo, a oposição e parte do Supremo Tribunal Federal”, afirmou o senador, ao destacar que, sem esse arranjo, o projeto teria sido adiado para 2026 por meio de pedido de vista na CCJ.

Um dos pontos mais sensíveis das declarações envolve o ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo Vieira, Moraes teria atuado nos bastidores sugerindo ajustes no texto das chamadas “emendas de redação”, apesar de publicamente se posicionar contra a proposta. Para o senador, a estratégia permitiu que mudanças de mérito fossem tratadas como ajustes formais, evitando que o projeto retornasse à Câmara dos Deputados.

Apesar das críticas ao processo, Alessandro Vieira votou a favor do texto. Ele justificou a decisão alegando que a proposta pode beneficiar réus considerados mais vulneráveis, descritos como “massa de manobra” dos atos de 8 de janeiro, que, na avaliação dele, receberam punições excessivas.

Vieira também avalia que o acordo interessa politicamente ao governo federal, ao reforçar a narrativa de um Congresso hostil, de um Executivo defensor da democracia e de um Judiciário colocado como guardião da Constituição.

Mesmo aprovado no Senado, o projeto ainda enfrenta resistência no Planalto. O presidente Lula já declarou que pretende vetar o texto. Caso isso ocorra, a proposta retorna ao Congresso, que precisará reunir maioria absoluta para derrubar o veto — um movimento que deve testar, na prática, a consistência do acordo político denunciado pelo senador.

Enquanto isso, a oposição já articula reação, incluindo a tentativa de derrubada do veto e eventual questionamento no STF sobre a constitucionalidade da medida. O episódio escancara como decisões centrais do Legislativo seguem sendo construídas em negociações de bastidores, com impactos que vão além do discurso público.

Leia mais

Regularização fundiária avança e chega a 18 mil imóveis em Manaus

Secretaria também entregou 576 apartamentos e atendeu mais de 500 famílias com reformas pelo Casa Manauara

Procon Manaus fará feirão para mulheres negociarem dívidas com descontos

Ação “Negocia Mulher” terá bancos, empresas e oficinas gratuitas entre os dias 27 e 29 de maio na zona Norte.

Renato Junior recebe “Homem-Peixe” e reforça pauta ambiental em Manaus

Ativista colombiano que já percorreu mais de 5 mil quilômetros pelos rios amazônicos foi recebido no mirante Lúcia Almeida, no centro histórico de Manaus

Lula sanciona lei que proíbe descontos de associações em benefícios do INSS

Nova legislação acaba com cobranças automáticas, determina busca ativa de vítimas e garante ressarcimento a aposentados e pensionistas lesados por descontos indevidos

Corte de Roma decide nesta terça-feira sobre extradição de Carla Zambelli

Ex-deputada está presa na Itália desde o ano passado; Ministério Público italiano já se manifestou favorável ao envio ao Brasil.