O Ministério da Justiça e Segurança Pública iniciou uma nova articulação nacional para combater a presença do crime organizado no setor de combustíveis.
A estratégia foi discutida nesta quarta-feira, 15 de julho, durante uma reunião técnica realizada no Rio de Janeiro, com representantes de instituições responsáveis pela segurança pública, inteligência, fiscalização e regulação econômica.
Segundo informações divulgadas pelo repórter Douglas Corrêa, da Agência Brasil, o encontro teve como objetivo definir medidas práticas e ampliar a troca de informações entre os órgãos envolvidos nas investigações.
A principal preocupação das autoridades é o avanço de organizações criminosas sobre atividades econômicas legais, especialmente aquelas com grande circulação de dinheiro, como postos de combustíveis, distribuidoras e empresas ligadas à cadeia de abastecimento.
Integração deve ampliar investigações
Durante a reunião, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que a atuação isolada das instituições não é suficiente para enfrentar o atual nível de organização das facções criminosas.
De acordo com o ministro, o crescimento da participação de grupos criminosos no mercado formal exige uma resposta coordenada entre forças policiais, órgãos de inteligência, agências reguladoras e instituições de fiscalização.
A proposta é facilitar o compartilhamento de dados, identificar movimentações financeiras suspeitas e acelerar operações contra empresas utilizadas para ocultar recursos obtidos em atividades ilegais.
Além da repressão policial, a estratégia deve incluir o acompanhamento das estruturas empresariais, dos contratos comerciais e das operações financeiras realizadas por integrantes ou intermediários de organizações criminosas.
Setor pode ser usado para lavagem de dinheiro
O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio Campos Moreira, alertou que as principais facções já não dependem exclusivamente do tráfico de drogas para obter recursos.
Segundo o procurador, o controle territorial permite que essas organizações explorem diferentes atividades comerciais nas áreas dominadas, cobrando taxas, impondo fornecedores e interferindo diretamente no funcionamento da economia local.
Parte do dinheiro arrecadado nessas operações pode ser posteriormente inserida no mercado formal por meio de empresas usadas para lavagem de capitais.
O setor de combustíveis é considerado sensível por movimentar grandes valores diariamente e envolver uma extensa cadeia de distribuição, transporte, armazenamento e venda ao consumidor.
Domínio territorial amplia poder das facções
Para as autoridades, o avanço sobre atividades econômicas legais fortalece o poder financeiro e territorial das organizações criminosas.
Em regiões controladas por facções ou milícias, comerciantes podem ser obrigados a comprar produtos de fornecedores determinados pelos grupos, pagar taxas ilegais ou aceitar serviços impostos, como transporte, segurança, gás e internet.
Esse modelo amplia a arrecadação das organizações e dificulta a retomada do controle dessas áreas pelo poder público.
A nova articulação pretende atingir justamente a estrutura financeira que sustenta essas atividades, reduzindo a capacidade das facções de movimentar recursos e financiar a expansão territorial.
As medidas discutidas no encontro ainda deverão ser detalhadas pelos órgãos participantes. A expectativa é que novas operações integradas sejam realizadas a partir do cruzamento de informações policiais, fiscais e financeiras.
Conteúdo reproduzido da Agência Brasil.


