O comando militar do Irã anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão das operações militares contra Israel, após novos episódios de troca de tiros entre os dois países, mesmo com um cessar-fogo em vigor desde abril.
Em comunicado divulgado pela televisão estatal iraniana, o comando de Khatam al-Anbiya afirmou que Teerã deu uma “resposta dolorosa” a Israel, mas decidiu interromper as ações militares por enquanto. No entanto, o regime deixou claro que poderá reagir com mais intensidade caso ocorram novos ataques, incluindo ações no sul do Líbano.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reforçou que o país continua buscando uma solução diplomática para a crise, mas ressaltou que o Irã não abrirá mão de sua capacidade de defesa.
A possibilidade de um fim para os confrontos havia sido antecipada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em publicação nas redes sociais, o norte-americano afirmou que Israel e Irã buscam um cessar-fogo imediato e que as negociações para um acordo definitivo de paz seguem em andamento.
Segundo a imprensa israelense, Israel também decidiu interromper seus ataques atendendo a um pedido da Casa Branca. Apesar disso, autoridades israelenses alertaram que novas ofensivas poderão ocorrer caso o Hezbollah mantenha ataques contra cidades do país.
Enquanto isso, o governo iraniano voltou a responsabilizar os Estados Unidos pelas recentes violações da trégua. Para Teerã, Washington tem influência direta sobre as ações de Israel e contribui para aumentar a instabilidade nas negociações diplomáticas.
A crise também expôs divergências entre os governos de Donald Trump e do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Recentemente, Trump criticou os ataques israelenses no Líbano e confirmou desentendimentos com o líder israelense sobre a condução do conflito.
O impasse envolve ainda a interpretação do cessar-fogo. Irã e Paquistão defendem que o acordo inclui também o território libanês, enquanto Estados Unidos e Israel sustentam que a trégua se aplica apenas aos confrontos envolvendo o Irã e países do Golfo Pérsico.
Mesmo com o anúncio da suspensão das operações militares, o cenário permanece instável, e autoridades dos dois lados mantêm discursos de prontidão para uma eventual retomada dos ataques.


