EUA ameaçam tarifa de 25% contra produtos brasileiros e citam Pix e desmatamento

Medida pode entrar em vigor em julho e faz parte de uma investigação comercial iniciada pelo governo de Donald Trump; carne bovina, café e aeronaves ficaram de fora da lista
Roberto Schmidt/Getty Images

O governo dos Estados Unidos anunciou que poderá aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil a partir de 15 de julho de 2026. A medida foi proposta após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos norte-americanos.

A decisão aumenta a tensão nas relações comerciais entre os dois países e abre um novo capítulo nas negociações entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

O que motivou a investigação

A apuração foi aberta em julho de 2025 com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo utilizado para investigar práticas comerciais consideradas desleais por outros países.

Entre os pontos analisados pelos norte-americanos estão:

  • Comércio digital;
  • Sistemas de pagamento eletrônico, incluindo o Pix;
  • Tarifas preferenciais concedidas pelo Brasil;
  • Proteção à propriedade intelectual;
  • Combate à corrupção;
  • Acesso ao mercado de etanol;
  • Desmatamento ilegal.

Segundo o relatório final, essas políticas poderiam criar barreiras para empresas e exportadores dos Estados Unidos, gerando prejuízos à competitividade americana.

Produtos que escaparam da taxação

Apesar da ameaça de uma tarifa ampla de 25%, diversos produtos estratégicos brasileiros foram excluídos da proposta.

Entre eles estão:

  • Carne bovina;
  • Café;
  • Aeronaves e peças aeronáuticas;
  • Terras raras;
  • Alguns metais e minérios;
  • Frutas e castanhas;
  • Petróleo bruto e derivados;
  • Fertilizantes;
  • Produtos farmacêuticos;
  • Compostos químicos orgânicos.

A justificativa apresentada pelo governo americano é evitar impactos negativos na própria economia dos Estados Unidos e garantir o abastecimento de produtos considerados essenciais.

Pix entra na mira dos Estados Unidos

Um dos pontos que mais chamaram atenção no relatório foi a citação ao Pix.

O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos aparece entre os temas analisados pela investigação comercial. O governo americano avalia possíveis impactos sobre empresas do setor financeiro e de pagamentos eletrônicos que atuam no mercado internacional.

A inclusão do Pix no relatório gerou repercussão por envolver um sistema criado pelo Banco Central do Brasil e amplamente utilizado por consumidores e empresas brasileiras.

Consulta pública antecede decisão final

Antes da aplicação definitiva da medida, os Estados Unidos abriram uma consulta pública para receber manifestações de empresas, entidades e interessados.

Os comentários poderão ser enviados até 1º de julho. Já a audiência pública está marcada para 6 de julho.

Durante esse período, representantes dos dois países devem continuar negociando uma solução diplomática para evitar a adoção das tarifas.

Segundo informações divulgadas pelo USTR, a investigação ouviu mais de 30 testemunhas e recebeu cerca de 300 manifestações ao longo do processo.

Governo Trump mantém pressão sobre o Brasil

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a investigação foi iniciada a pedido do presidente Donald Trump devido a preocupações consideradas recorrentes nas relações comerciais entre os dois países.

Apesar de reconhecer avanços nas conversas com o governo brasileiro, Greer afirmou que ainda existem divergências importantes.

A expectativa é que as negociações continuem até o prazo final previsto pela legislação americana, em 15 de julho de 2026.

Impactos podem atingir exportações brasileiras

Especialistas avaliam que uma eventual tarifa de 25% pode reduzir a competitividade de diversos produtos brasileiros no mercado americano, dependendo do setor afetado.

Os Estados Unidos figuram entre os principais parceiros comerciais do Brasil, movimentando bilhões de dólares por ano em exportações e importações.

Por isso, o resultado das negociações será acompanhado de perto por empresários, exportadores e autoridades econômicas dos dois países.

A decisão final ainda depende de consulta pública e negociações entre os dois governos.

Com informações de Agência Brasil

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