Caso Débora: Gil Romero é condenado a mais de 63 anos por morte de grávida em Manaus

Após cinco dias de julgamento, Justiça do Amazonas condenou dois réus pelo assassinato de Débora Alves, que estava grávida de oito meses quando desapareceu em 2023.

A Justiça do Amazonas encerrou, na madrugada desta segunda-feira (1º), um dos julgamentos mais acompanhados dos últimos anos no estado. Após cinco dias de sessões no Fórum Ministro Henoch Reis, em Manaus, os réus Gil Romero Machado Batista e José Nilson Azevedo da Silva foram condenados pelo assassinato de Débora da Silva Alves, jovem de 18 anos que estava grávida de oito meses quando desapareceu em julho de 2023.

As informações foram divulgadas pelo g1 Amazonas. Segundo a reportagem, os jurados acolheram a maior parte das acusações apresentadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), que sustentou que o crime foi planejado para impedir o nascimento da criança e ocultar o relacionamento mantido entre a vítima e um dos condenados.

Gil Romero recebeu pena de 63 anos, 7 meses e 19 dias de prisão em regime fechado. Ele foi condenado por homicídio qualificado, feminicídio, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver. Já José Nilson foi sentenciado a 17 anos e 8 meses de prisão por homicídio qualificado por motivo torpe. No caso dele, os jurados afastaram algumas qualificadoras e a acusação de feminicídio.

Julgamento mobilizou atenção pública

O julgamento começou na última semana e reuniu familiares da vítima, representantes do Ministério Público, advogados de defesa e integrantes da sociedade civil. O caso ganhou grande repercussão desde o desaparecimento de Débora, em razão da brutalidade do crime e do fato de a jovem estar grávida de oito meses.

Durante a sentença, o magistrado destacou que a condenação foi baseada em um conjunto robusto de provas reunidas ao longo da investigação. Entre os elementos analisados estão laudos periciais, depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de segurança, dados de rastreamento e declarações prestadas pelos próprios acusados durante as investigações.

Segundo o Ministério Público, os elementos apresentados demonstraram a participação dos réus nos crimes e permitiram a formação da convicção do Conselho de Sentença.

O que apontaram as investigações

De acordo com a Polícia Civil, Débora desapareceu no dia 29 de julho de 2023 após sair de casa para encontrar Gil Romero. A investigação apontou que ele havia marcado um encontro sob a justificativa de entregar dinheiro para a compra do berço do bebê que ela esperava.

Dias depois, em 3 de agosto, o corpo da jovem foi localizado em uma área de mata no bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus.

As investigações concluíram que a vítima foi morta por asfixia. A polícia também apontou que o crime ocorreu dentro da área da Usina Termoelétrica Mauá 2.

Segundo a denúncia apresentada pelo MPAM, Gil Romero mantinha um relacionamento extraconjugal com Débora e não desejava assumir a paternidade da criança. Para os promotores, essa teria sido a principal motivação do assassinato.

Crime chocou o Amazonas

O caso provocou forte comoção popular e mobilizou buscas intensas durante os dias em que Débora esteve desaparecida. A repercussão aumentou após a descoberta do corpo e dos detalhes revelados pela investigação.

A denúncia do Ministério Público sustenta que, após o assassinato, houve uma tentativa de ocultação de provas. Segundo os autos do processo, o corpo foi levado para uma área isolada e incendiado.

A brutalidade do caso transformou o julgamento em um dos mais emblemáticos da história recente do Amazonas, atraindo atenção de veículos de comunicação de todo o país.

Prisões ocorreram dias após o crime

José Nilson foi preso poucos dias depois do assassinato. Já Gil Romero fugiu para o município de Curuá, no Pará, onde acabou localizado em uma operação conjunta das polícias civis do Amazonas e do Pará, em agosto de 2023.

Desde então, ambos permaneceram presos preventivamente enquanto respondiam ao processo criminal.

Com a condenação definida pelo Tribunal do Júri, o caso entra agora em uma nova fase jurídica, marcada pelos possíveis recursos da defesa. Enquanto isso, a decisão representa um desfecho importante para familiares da vítima, que acompanharam o julgamento durante toda a semana.

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