Um dia após ser eleito governador do Amazonas por unanimidade na Assembleia Legislativa, Roberto Cidade iniciou a reformulação do secretariado estadual com a troca de 11 titulares em áreas estratégicas da administração pública. A medida marca o início efetivo da nova gestão e indica o caminho político-administrativo que será adotado nos próximos meses.
As mudanças atingem pastas como Fazenda, Educação, Administração e Desenvolvimento Urbano, além de órgãos importantes como o Detran, o Centro de Serviços Compartilhados (CSC) e a Prodam. Ao mesmo tempo, a estrutura central do governo foi preservada, com a manutenção de áreas consideradas sensíveis, como Casa Civil, Segurança Pública, Saúde e Secretaria de Governo.
Durante coletiva, o governador classificou a reforma como um movimento natural de início de gestão e destacou que o objetivo é garantir mais eficiência administrativa.
“É natural esse processo. Quando a gente se torna governador, temos que fazer mudanças necessárias para trabalhar de forma efetiva e tocar o governo com a nossa marca”, afirmou.
Cidade também ressaltou que a escolha dos novos nomes seguiu critérios técnicos e alinhamento com o serviço público.
“Os critérios foram pessoas técnicas, com espírito público para servir ao povo do Amazonas”, disse.
Equilíbrio entre mudança e continuidade
Apesar do número de alterações, a reforma não representa ruptura com a gestão anterior. A maior parte da estrutura administrativa foi mantida, o que indica uma estratégia de continuidade com ajustes pontuais.
Na prática, apenas duas áreas estratégicas — Fazenda e Educação — passaram por mudanças em função da saída dos titulares. No caso da Seduc, a substituição ocorre após recomendação do Tribunal de Contas do Estado.
Outro ponto relevante é a origem dos novos secretários. Parte significativa dos nomes tem trajetória vinculada à Assembleia Legislativa, onde Roberto Cidade presidiu por seis anos. O movimento sugere a formação de uma equipe com proximidade política e administrativa com o governador, o que tende a facilitar a execução das políticas públicas.
Pressão fiscal e prioridade econômica
A área econômica aparece como um dos principais desafios da nova gestão. Durante a coletiva, o governador destacou a necessidade de reorganização fiscal e recuperação de receitas.
Segundo ele, o Estado enfrenta um cenário de alto volume de créditos a recuperar.
“Só de credores, empresas que devem ao Estado, são mais de 12 bilhões de reais”, afirmou.
A nomeação de Dário Paim para a Secretaria da Fazenda reforça esse direcionamento. Auditor fiscal com longa experiência na área tributária, ele já atuava como secretário executivo da Receita e agora assume a missão de reorganizar as contas estaduais.
Os novos nomes do governo
A reforma contempla os seguintes titulares e perfis:
SEFAZ (Secretaria de Estado da Fazenda) – Dário José Braga Paim: Auditor fiscal com mais de duas décadas de atuação, mestre em gestão e com passagem por cargos estratégicos dentro da própria pasta.
SEDUC (Secretaria de Estado de Educação e Desporto) – Jander de Lima Lasmar: Servidor de carreira desde 1995, com formação em pedagogia e experiência em gestão educacional. Estava à frente da Escola do Legislativo.
SEDURB e UGPE (Desenvolvimento Urbano e Projetos Especiais) – Júlio César Langbeck Soares Neto
Contador com especialização em licitações e contratos, com experiência em obras públicas e atuação na Assembleia Legislativa.
SEDECTI (Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia) – Gustavo Igrejas
Economista e servidor da Suframa, foi mantido no cargo, garantindo continuidade na política de desenvolvimento econômico.
SEAD (Administração) – Robson Togni de Almeida
Doutor em educação, com experiência no setor privado e público. Atuava como diretor de Recursos Humanos da Assembleia.
SEPROR (Produção Rural) – Ricelli Viana Pontes
Ex-vereador e atual gestor com experiência na área agrícola. Já ocupava cargo adjunto na secretaria.
DETRAN-AM – Marcos Jânio da Silva Costa
Advogado com experiência em gestão pública, com passagens pela Prefeitura de Manaus, Câmara Municipal e Assembleia.
CSC (Centro de Serviços Compartilhados) – Ian Henderson Carmo Ribeiro
Advogado, ex-presidente da Amazonastur e com atuação na Secretaria de Governo.
FPS (Fundo de Promoção Social) – Adriana Cunha Pimentel
Jornalista e gestora com experiência em articulação institucional e organização de eventos públicos.
AADC (Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural) – Cândido Jeremias Cumarú Neto
Administrador com trajetória na área cultural e passagem pela Secretaria de Cultura.
PRODAM (Processamento de Dados do Amazonas) – Renato Borges de Souza
Especialista em tecnologia com mais de 15 anos de experiência e atuação consolidada dentro da própria empresa pública.
📌 Leitura política
A reforma promovida por Roberto Cidade aponta para um modelo de gestão que combina continuidade administrativa com fortalecimento de uma base própria.
Ao evitar mudanças bruscas em áreas sensíveis, o governador preserva a estabilidade institucional. Ao mesmo tempo, ao nomear quadros de confiança, constrói um núcleo político-administrativo alinhado ao seu projeto de governo.
O movimento também indica cautela. O próprio governador afirmou que novas alterações podem ocorrer, mas de forma gradual e responsável.
No cenário político, a estratégia sinaliza que Cidade busca consolidar governabilidade sem tensionar a estrutura herdada, mantendo canais abertos dentro do próprio grupo político que o levou ao cargo.
O desafio, a partir de agora, será transformar a reorganização administrativa em resultados concretos para a população.
Fonte: Secom