Uma solução simples, mas com impacto gigante, está transformando a rotina de pescadores no interior do Amazonas. Na comunidade Santa Helena do Inglês, em Iranduba, a produção local de gelo acabou com um problema antigo: o prejuízo antes mesmo da pesca acontecer.
Antes do projeto, os pescadores precisavam ir até Manaus para comprar gelo. Isso significava gastar com combustível, perder até dois dias de viagem e ainda correr o risco do gelo derreter no caminho. Em muitos casos, o prejuízo chegava a mais de mil reais, mesmo sem conseguir pescar.
Agora, a lógica virou. Primeiro o pescador garante o peixe, depois compra o gelo na própria comunidade. Resultado: menos custo, menos desperdício e mais lucro.
A mudança veio com o projeto “Gelo Caboclo”, uma fábrica que funciona com energia solar e produz cerca de uma tonelada de gelo por dia. A estrutura ainda conta com câmara fria e armazenamento, garantindo atendimento mesmo nos períodos de maior demanda.
Além da pesca, o impacto se espalha. Barcos de turismo, pousadas e pequenos empreendedores também passaram a comprar gelo no local, movimentando a economia da comunidade.

Hoje, mais de 200 famílias são beneficiadas diretamente pela iniciativa, que une tecnologia, sustentabilidade e geração de renda. A gestão é comunitária, o que fortalece ainda mais o desenvolvimento local.
O projeto é executado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com apoio de instituições ligadas à bioeconomia, mostrando na prática como soluções simples, pensadas dentro da realidade da Amazônia, podem gerar transformação de verdade.
E o próximo passo já está no radar da comunidade: ampliar a estrutura para também armazenar o pescado, agregando ainda mais valor ao trabalho dos ribeirinhos.