Esporotricose já soma quase 2 mil casos humanos no Amazonas em 2025

Doença transmitida principalmente por gatos matou uma pessoa e levou à eutanásia de mais de 2 mil animais no estado
Foto: FVS-AM

O Amazonas enfrenta uma explosão de casos de esporotricose, uma doença infecciosa transmitida principalmente por gatos, que já provocou quase 2 mil infecções em humanos e a morte de mais de 2 mil animais em 2025. O alerta foi divulgado nesta quarta-feira (7) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS).

Segundo o informe epidemiológico, entre janeiro e dezembro de 2025 foram notificados 2.534 casos em pessoas, sendo 1.996 confirmados, 223 ainda em investigação e um óbito registrado. A maior parte dos casos está concentrada em Manaus, com 1.862 pessoas infectadas, mas a doença também avançou para municípios como Presidente Figueiredo, Barcelos, Iranduba, Manacapuru, Rio Preto da Eva, Maués e Itacoatiara.

O cenário é ainda mais grave entre os animais. No mesmo período, o estado registrou 4.947 casos de esporotricose animal, com 4.607 confirmações. Desse total, 2.367 animais ainda estão em tratamento e 2.215 morreram ou precisaram ser sacrificados. Quase todos os casos são em gatos, que representam 97,6% das infecções, e a maioria dos animais doentes é macho.

Diante da gravidade da situação, o Ministério da Saúde incluiu oficialmente a esporotricose humana na lista nacional de doenças de notificação compulsória. Isso significa que todo caso suspeito ou confirmado precisa ser comunicado imediatamente às autoridades de saúde pelo sistema oficial do SUS, o Sinan. A medida vale para todo o Amazonas e obriga médicos, enfermeiros e unidades de saúde a registrar os casos.

A esporotricose é causada por um fungo que vive no solo, em plantas, madeira e matéria orgânica em decomposição. Em humanos, a infecção começa quando o fungo entra na pele por ferimentos, arranhões ou cortes, provocando lesões que não cicatrizam. Em áreas urbanas, o principal vetor da doença são os gatos infectados, que podem transmitir o fungo por arranhões, mordidas, lambidas ou contato com feridas.

A recomendação das autoridades é clara: qualquer lesão persistente na pele, especialmente em quem teve contato com gatos ou animais doentes, deve ser avaliada por um profissional de saúde o quanto antes. Já no caso dos animais, a orientação é não deixar gatos e cães soltos nas ruas, evitar contato com animais doentes e procurar atendimento veterinário diante de qualquer suspeita.

O avanço da esporotricose acende um alerta sanitário no Amazonas e reforça a importância de cuidado com os animais, vigilância e notificação rápida, para evitar que a doença continue se espalhando pela população.

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