O Brasil vai mudar a principal forma de detectar o câncer de colo do útero no SUS. A Fundação do Câncer lançou nesta quinta-feira (8) uma versão atualizada do Guia de Prevenção da doença, que já incorpora a substituição gradual do Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV, considerado mais moderno e preciso.
A mudança começou a ser implantada em setembro de 2025, por etapas, em estados e municípios selecionados pelo Ministério da Saúde. Onde o novo exame ainda não chegou, o Papanicolau continua valendo.
Diferente do exame antigo, que só identifica alterações quando elas já existem, o DNA-HPV detecta o vírus antes de ele causar o câncer, permitindo agir mais cedo e evitar o avanço da doença.
O público-alvo permanece o mesmo: mulheres de 25 a 64 anos. A grande diferença está no intervalo.
Com o Papanicolau, o exame era repetido a cada três anos. Com o teste de DNA-HPV, quando o resultado dá negativo, o rastreamento passa a ser feito a cada cinco anos, já que o exame tem 99% de segurança.
Se o teste identificar os tipos mais perigosos do vírus, como HPV 16 e 18, que causam cerca de 70% dos cânceres de colo do útero, a mulher é encaminhada diretamente para colposcopia, exame que analisa o colo do útero em detalhe.
O Brasil também segue a estratégia da Organização Mundial da Saúde (OMS) para eliminar esse tipo de câncer até 2030, baseada em três pilares:
• Vacinar 90% das meninas até os 15 anos
• Rastrear 70% das mulheres
• Tratar 90% das que apresentarem lesões ou câncer
A vacina contra o HPV continua sendo a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos de risco como pessoas com HIV, pacientes oncológicos e vítimas de violência sexual.
Com a entrada do novo exame molecular no SUS, o Brasil se aproxima de países como a Austrália, que já reduziram fortemente os casos da doença ao adotar o DNA-HPV como principal método de rastreamento.
Por agência Brasil